A tela está escura, mas o som de “splash” anuncia a cena seguinte: lentamente, a personagem atravessa o quadro a nado. A água é turva, e sua materialidade se revela apenas pelos reflexos avermelhados e amarelados que vêm da superfície. À medida que avança, a personagem desaparece na escuridão e somos deixados apenas com algumas poucas luzes que se misturam e piscam vagarosamente. O ritmo é leve e flutuante, dando à experiência do assistir um tom contemplativo quase hipnótico. 
O único indício de que este vídeo se trata da representação de um lugar é a lembrança da personagem que por lá mergulhou. Perderam-se quaisquer outros sinais de direção, profundidade ou caminho. Pouco se percebe do movimento da câmera também, restando apenas poucas luzes e algumas partículas que denunciam a consistência do líquido escurecido.
Silhuetas negras surgem e desaparecem nessa dinâmica. Algumas são alongadas e movem-se serpenteando, outras, de tão indefinidas, parecem mais ecos da escuridão predominante do que algo de fato. Será que estão à mercê da correnteza ou nadam por vontade própria? Com efeito, não há nem como saber o que são.
Por fim, na metade inferior do quadro, cascalhos fluem gentilmente: chegamos ao fundo.
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