Uma personagem está em uma floresta. Seus movimentos trêmulos sugerem certa apreensão. Depois de poucos passos, ela fixa o olhar para a câmera: algo foi percebido.
Cortes e detalhes de fotografias sintonizados em uma melodia pululante criam uma cena rítmica composta de reflexos e sombras de árvores em torno de um lago.
Quando o quadro retorna à personagem, essa já está materialmente destacada do cenário. Ela agora é digital, enquanto a floresta — em contraste com as fotografias – apresenta texturas, cores e luzes de um ambiente criado com materiais de uma loja de armarinhos: lãs, tules, fios ornamentados, tecidos estampados, lantejoulas e purpurina.
Na medida em que a trilha sonora se desenvolve, a personagem explora o ambiente com fascínio e até improvisa alguns passos de dança. Ela está descobrindo esse cenário juntamente do expectador que assiste ao vídeo pela primeira vez. E, nessa dinâmica, a floresta responde com movimentos involuntários — essa é sua contribuição rítmica ao momento estabelecido entre a tríade: personagem-cenário-espectador.